Depois de muito tempo, eis-me aqui. E agora, vislumbro o tempo sob outra ótica ou quem sabe, sob outros ponteiros. Afinal, tudo mudou. Ou parece ter mudado. Estamos sob nova ordem. Fiquem em casa.
Sim. Ficar em casa, isolar-se do convívio social para parar um vírus. É o novo comando. E a ele submete-se até as grandes economias mundiais.
E agora, não é mais da janela lá de casa que vejo o mundo. É na palma da minha mão que acesso o meu universo.
Não vou mais à escola. Meus alunos não estarão lá. Eu me conecto com eles numa "rede social". Continuo dando as mesmas broncas, mas já não observo seus olhares, suas risadinhas... Ah, e também não recebo seus abraços, seus afetos. Agora, só emojis. E por falar nisso, continuo achando essas figurinhas muito sem graça. Mas é o que há. Vou usar. Estou usando. Até para dizer rapidamente, que sinto saudade do barulho deles e delas.
Tenho andado ainda mais cansada. Achei que isso não seria possível, pois supunha ter atingido o meu limite.
Ora, não mesmo.
De uma hora para outra tive que me reinventar. Sair do espaço físico da aula para um ambiente virtual. Deixava ali minha zona de conforto. Não está sendo fácil. Mas, não nego que tem seus prazeres. É rápido informar desse jeito. E é aí que o dilema antigo, bem antigo ressurge: como transformar essa informação em conhecimento?
E a questão é tão nova e tão velha que, confesso, me inquieto.
É. Pois é... vamos fazer cócegas no cérebro. É o jeito. Não adianta saber responder. Tem que saber perguntar.
terça-feira, 31 de março de 2020
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